nasci com um inverno enferrujado cravado no peito. fiz de berço a areia movediça da palavra. trago em mim o canto da flor em chamas. o riso. o respirar das pedras. as mãos do sol não alcançam a almabichorrastejante que forja no lodo o corpo de uma ave qualquer. me devo a mim e não me cobro. o tempo é cheio de agulhas. o vento se fez navalha. tenho o sangue onde morre a sede: o abismo que me habita é meu xará.